2018 em análise – melhores e piores álbuns do ano

Por Francelino Prazeres de Azevedo Filho

2018 foi um ótimo ano para a música. Desde que comecei a fazer este projeto de análise crítica do ano, eu nunca tinha encontrado tantos álbuns que amei. Mas não vamos colocar o carro antes dos bois. Olá a todos, meu nome é Francelino, e eu escutei 148 lançamentos musicais do ano 2018. Os álbuns, como de costume, foram selecionados de listas de melhores do ano, recomendados por amigos, foram novos lançamentos de alguns dos meus músicos preferidos, ou simplesmente chamaram minha atenção por algum motivo. Este é o resumo do que achei.

As listas dos críticos me fizeram escutar a novos materiais de artistas aclamados cujo trabalho anterior não me deixou uma impressão positiva, e eu acabei gostando. Car Seat Headrest me incomodou com seu Teens of Denial de 2016, mas seu novo Twin Fantasy não foi desagradável, apesar de não ter um pingo de originalidade, nem nenhuma melodia excepcional. Para dias ruins de Mahmundi puxou muito de Djavan e Tim Maia, melhorando muito o som de seu insosso disco autointitulado. Be the cowboy de Mitski foi um dos álbuns mais prestigiados do ano passado, mas para mim ele foi só bonzinho. Sua proposta é de um pop-rock com foco intimista, mostrando o âmago da cantora. Para isso ela faz o que eu tanto odeio, que é o uso de letras sem métrica, nem versos claros, nem rima. Isso não chega a atrapalhar, já que as melodias são consistentes, ainda que não das melhores. O mais surpreendente desta leva foi o Aviary de Julia Holter, uma sequência deslumbrante e diversa de pop polifônico, cuja ordem no disco fez com que cada faixa, e cada elemento das faixas, contrastasse com os outros. Foi um pouco longo demais, porém.

Dentre todos os músicos vivos, não há um que eu ame tanto quanto Paul McCartney. No entanto, seu Egypt Station não manteve o padrão de qualidade dos seus últimos lançamentos, e tem um começo particularmente genérico. Mas talvez seja assim intencionalmente, para compensar o single bizarro Fuh You. Uma sopa de elementos incaracterísticos, que soam chocantemente horríveis na primeira escutada, mas que, ao ouvir mais, não pude deixar de admirar o quão ousada e autoconsciente ela é. Um dos melhores exemplos do fenômeno “tão ruim que é bom” na música. A parte final do disco dá uma guinada positiva, com uma estrutura diversa e várias faixas excelentes. Outro ídolo meu, David Byrne, lançou um bom disco, American Utopia, que só pode ser descrito como sendo “muito David Byrne”. Spiritualized me desapontou com seu And Nothing Hurt, parece que baixou o espírito de Galaxie 500 em Jason Pierce, sendo muito menos melódico e intenso que o maravilhoso Sweet Heart Sweet Light. O Tangerine Reef do Animal Collective é uma sessão de psicodelia ambiente despretensiosa, gravada em um único take, e diferente de muita coisa ambiente por aí, nunca chega a ser tedioso. MGMT inaugurou um novo som em seu Little Dark Age, um synthpop denso e prateado, puxado na new wave, mas ainda peguento. Rebound de Eleanor Friedberger, é um disco de pop lentinho, mas que não chega a ser letárgico. Não atinge o nível nem melódico nem de inovação dos discos dela nos Fiery Furnaces, mas ainda assim é bem sólido. Adoro sua voz.

O Cordel do Fogo Encantado lançou seu primeiro disco desde 2005, Viagem ao coração do Sol, e retornou com maestria ao seu som tradicional. Todos os elementos estão aqui, os violões, a percussão, a ardente poesia de Lirinha. O disco é sólido em todos os aspectos, mas não atinge o poder instrumental do primeiro, nem os ganchos pop-poéticos de Transfiguração, ou mesmo uma única canção-chave que se destaca acima de todas as outras como Na veia foi n’O palhaço do circo sem futuro. Pelo contrário, é um disco muito bom, mas sem cruzar um certo limiar de excelência. Gilberto Gil lançou seu Ok Ok Ok para marcar a recuperação de sua saúde, que passou por diversos problemas desde 2016.  É um álbum cheio de amor à vida e à família, ainda que não de vigor.

A colega de tropicália de Gil, Gal Costa, também figurou na minha lista com seu A pele do futuro, um pop midtempo com climão de anos 70, que chega à fronteira do cafona, mas não a cruza. O MPB feminino teve muitos destaques este ano, com claras tendências: produção eletronizada, pelo menos uma canção sobre orixás e liberdade para falar de sexo abertamente, muitas vezes na primeira pessoa. Cavala de Maria Beraldo é o mais fraco dos que eu escutei, pura conversa. TODXS de Ana Cañas tem a melhor capa do ano, e o disco é agradável, com uma puxada arrastada pro R&B. Até a banda Carne Doce entrou nesta onda, com Tônus, um disco muito mais “conversador” que os anteriores. A mudança foi bem-vinda, ficou um pacote mais coeso. Azul moderno de Luiza Lian talvez se destacasse mais em outros anos, mas segue fielmente esta tendência, e neste mesmo ano ouvi vários discos seguindo essa linha e é preciso um bocado para se destacar. O disco é bom mas a concorrência é melhor. Trança de Ava Rocha e o disco autointitulado do conjunto Mulamba são mais irregulares, com uma diversidade de gêneros e emoções, e grandes pontos altos, mas também pontos baixos. O melhor da leva é Taurina de Anelis Assumpção, com uma combinação natural de letras e melodias, ainda que na minha opinião faltou um refrão-clímax em certas músicas. Um disco que me decepcionou foi Filha de mil mulheres de Clau Aniz. Escutei imaginando que seria mais um desta linha, e era um pop letárgico, onde tudo soa comprido demais. Outro chatíssimo, o pior disco do ano para mim, foi Casas, de Rubel. Parece que, para o artista, só é preciso falar com voz macia umas banalidades pseudopoéticas e botar uns violinos e sintetizadores no fundo, que já pode chamar de música.

O hip hop brasileiro continua a tendência de 2017, trap cru. Baco Exú do Blues, Djonga e BK’ lançaram álbuns que eu definitivamente não gostei. Mas dentro deste estilo, curti Comunista rico de Diomedes Chinaski e S. C. A. de FBC, este último também estende a mão para o boom bap dos anos 90. Ambulante de Karol Conká não foi tão apreciado pela crítica quanto seu anterior Batuk Freak, mas para mim é da mesma qualidade. Enquanto o outro trazia influências mais brasileiras, este bebe do trap brilhoso norte-americano e do reggaeton. O melhor disco do hip-hop nacional de 2018 foi Amar é para os fortes, de Marcelo D2, para o qual eu tive que escrever uma resenha completa para dizer tudo o que penso. Sucintamente, é um álbum muito bom, com momentos de excelência, que resgata o estilo do começo dos anos 2010.

Dentro do universo do pop-rock, tivemos a banda goiana Cambriana com uma ideia inovadora de misturar indie pop com rock progressivo, em seu Manaus vidaloka. A execução ficou aquém, e apesar de interessante, não empolga. Ainda assim, é melhor que Mormaço queima de Ana Frango Elétrico, um pop-rock supostamente engraçadinho, mas cuja tentativa de humor cai por terra, bem como Sdds rolê lixo de Marianaa, um indiezinho lo-fi lerdoso sem ganchos querendo ser agridoce e profundo. Pra curar, de Tuyo, é um pop de midtempo a lento, com produção bem moderna e foco nas letras introspectivas. Eu entendo pq uns pagam muito pau para esse disco, porque ele faz o que se propõe a fazer com louvor. Mas não é algo que se encaixa muito no meu gosto. Minha conterrânea Duda Beat teve um começo promissor em seu Sinto muito. Inaugura um novo estilo de brega-indie-pop, algo como o som que o brega teria se tivesse se originado nos anos 10. Parece algo que vai gerar tendência, e aguardo ansiosamente para ver em onde isto tudo vai dar. Tenho que comentar sobre o sotaque dela, que tem algo estranho, para mim parece que ela está se esforçando para perder a pernambucanidade, e isto é bem triste. O conjunto Samba de Coco Raízes de Arcoverde não esconde seu sotaque forte e maravilhoso em Maga Bo apresenta …, que se propõe ser uma renovação no coco. A produção do álbum, nos sons de coco puro, é excelente, mas o produtor americano Maga Bo vez em quando inventa de botar uns toques de música eletrônica totalmente fora de lugar. No mais, o estilo coletivo de vocais do grupo dá uma força a mais, combinando com a instrumentação composta puramente de percussão. As duas primeiras músicas estão acima do resto do disco, no entanto. Paralelamente ao coco, a ciranda tem sua renovação em Mestre Anderson Miguel, com seu Sonorosa obtendo sucesso crítico. Infelizmente, eu fui ler uma entrevista com o rapaz, e nela ele se assume fã de Zezé di Camargo & Luciano. Desde então, não consigo deixar de ouvir a influência nefasta dessas criaturas no estilo vocal dele. Quando eu não percebo isso, como na música O cirandeiro, com participação de Juçara Marçal, ele pode ser formidável.

Um disco que me foi bem recomendado foi Pedra preta de Teto Preto, com seu som eletrônico meio industrial com vocais repetitivos. Não vi nada de mais. A faixa-título destoa ao adotar uma estrutura de samba, mas mantendo a instrumentação anterior. O resultado é bem interessante, uma pena que o álbum todo não seja assim. O grupo de rock industrial Daughters está na primeira posição do ranking de discos de 2018 do RateYourMusic com seu You Won’t Get What You Want, mas para mim este foi completamente esquecível. Mais agradável, mas também esquecível, é o OIL OF EVERY PEARL’S UN-INSIDES, de SOPHIE. Endless, de Frank Ocean, desperdiça boa parte do tempo com uma ambiência eletrônica glitchy, mas a outra parte do álbum é uma espécie de dream-soul etéreo, lembrando o bom Aromanticism de Moses Sumney de 2017.

Já comecei este projeto ouvindo de amigos que tivemos muitos discos bons de soul / R&B. Infelizmente, apesar de admirar a produção, não vi nada de cativante nas melodias de Velvet de JMSN, Cocoa Sugar de Young Fathers ou Negro Swan de Blood Orange. O que não é o caso de Sweetener de Ariana Grande e, especialmente, Isolation de Kali Uchis. Ponto para o mainstream. Gostei do disco de country Years de Sarah Shook & The Disarmers, mas não amei, o que me deixou um pouco triste, já que me foi fortemente recomendado por amigos cujo gosto estimo. Everything is Love do par Beyoncé e Jay-Z, intitulados The Carters neste disco, é bonzinho, musicalmente, transitando entre o hip-hop e o R&B. Mas as letras, bem, eu não costumo focar muito nelas, mas tive problemas com este disco. Como diz o título, o tema é, supostamente, amor. Mas é o amor de casais felizes no Instagram, é amor-ostentação. Eu não ligo para ostentação quando é sobre dinheiro ou proeza sexual, quando é algo autoconscientemente raso, mas para se falar de amor desta forma, tudo fica muito feio. E não ajuda ser cantado justamente por dois bilionários que lucram com trabalho escravo no Sri Lanka.

Além de alguns álbuns que figuram entre meus favoritos, e por isto, falarei depois, o hip hop anglófono teve vários álbuns de destaque. Death Grips continua com sua sonzeira sombria, agressiva e divertida em seu Year of the Snitch. JPEGMAFIA tenta dar sua versão ao estilo deles em seu Veteran. Apesar de ter uma produção muito boa, espástica e glitchy, sinto muito a falta de um furor maior no rap, acaba não empolgando. TA13OO de Denzel Curry definitivamente empolga nas suas faixas mais fortes, misturando o trap ao pop rap, embora não mantém o mesmo nível pelo álbum inteiro. LD mostra seu belo flow em The Masked One, da tradição do trap inglês, de som mais profundo, “aquático”, puxado para o grime. Some Rap Songs de Earl Sweatshirt tem uma produção brilhante, me lembrando muito o gênio Daniel Dumile / MF Doom, mas o rap é meio monótono, não pude amar o disco. Room 25, o primeiro álbum de Noname, é uma continuação da mixtape Telefone. Consegue injetar mais influências de soul e funk mas mantém o mesmo estilo idiossincrático de rap quieto, contido, que é algo que até hoje, só vi ela fazer. Único.

Dentre os discos de hip hop africano, curti bastante 137 Avenue Kaniama de Baloji, que teve bastante influência de outros gêneros da música congolesa, como soukous e tradi-modern. Não deixem de ver o magnífico vídeo da música Peau de chagrin – Bleu de nuit. Já os nigerianos Burna Boy e ClassiQ me desapontaram com seus respectivos Outside e New North, bem genéricos. Outra decepção foi Dentro da chuva da angolana Aline Frazão, uma musiquinha acústica bem ao estilo Anavitória. Seu oposto na África lusófona é Kebrada de Elida Almeida, este sim emocionante, com vocais muito expressivos, me lembrando que tenho que escutar mais música cabo-verdiana. Angélique Kidjo lançou uma versão afro-pop do clássico Remain in Light, cantando faixa por faixa, recebendo grande clamor crítico. Por algum motivo, apesar de amar a música de muitos de seus compatriotas benineses, não consigo gostar do estilo dela. Ainda assim é Remain in Light, um dos meus discos favoritos de todos os tempos.

Ainda na África, Emakhosini do grupo sul-africano Bantu Continua Uhuru Consciousness é um álbum difícil de descrever, com canções compridas, repetitivas e rítmicas. Influências tanto do rock quanto do funk são claramente perceptíveis, mas eu pessoalmente não diria que se encaixa em nenhum dos dois gêneros. A togolesa Orchestre Abass teve uma coletânea de seus singles antigos lançada, intitulada De Bassari Togo. Dentro do grande universo que é o afro-funk dos anos 70, não se destacou muito, exceto pelos teclados interessantes. Escutei dois discos de compositores malineses do povo songais, de mesmo sobrenome, mas até onde sei, sem nenhum parentesco. Ambos têm a guitarra elétrica bem marcada típica da música songai, mas faltou um tempero para Wande de Samba Touré. Sidi Touré, por outro lado, me cativou com seu Toubalbero. Guitarras também são o ponto forte do tichumaren do povo tuaregue: Deran do nigerino Bombino é bom, mas não tem a mesma personalidade do anterior Azel; Temet, da banda argelina Imarhan, tem pegadas de hard rock, mas infelizmente nesta mistura eles perderam a “lágrima” tão característica e forte do gênero. Ainda assim as guitarras dão show em ambos.

O etíope Hailu Mergia fez um etio-jazz idiossincrático em seu Lala Belu, afastando-se de instrumentos de sopro, levando a música com a sanfona e teclados. É uma música que se deita confortavelmente no fundo da minha mente. O grupo inglês Sons of Kemet emula o som do jazz africano em Your Queen Is a Reptile. Falta intensidade e melodia, contudo. Amaro Freitas melhorou em Rasif comparado ao anterior Sangue negro, mas nada que chegue a me agradar. Meu odiado Kamasi Washington retorna com duas horas e meia de nada em Heaven and Earth, que exemplifica o pior que existe no jazz. Day De Senar da Mediterranean Deconstruction Ensemble é música sefardita (ibero-judaica) feita em Moscou, com infelizes toques de jazz. Bem quando a música vai pegando embalo e instigando, nas boas partes sefarditas, surge o jazz para encher o saco, é verdadeiramente frustrante!

Uma miscelânea ainda maior está em Antología del cante flamenco heterodoxo do espanhol Niño de Elche. Supostamente, é um disco de flamenco, mas tem de tudo, de tango, à música coral medieval, à entonação de vocais ao estilo Stockhausen. Mais uma inovação do flamenco foi El mal querer, de Rosalía. Traz a força emocional do gênero embalada em um novo pacote, com produção moderníssima. Dead Magic, da sueca Anna von Hausswolff, consegue ter atmosfera pesada e opressiva sem passar o ponto em que fica ridículo. As duas últimas faixas, instrumentais, são entediantes sem os vocais agourentos. Retratos é um disco de violão clássico, solo ou com acompanhamento esparso, de Otto Tolonen. São composições variadas, incluindo uma suíte do meu amado Ástor Piazzolla, e Otto extrai as melhores texturas e cores do seu violão. Honey, da sueca Robyn é supostamente dance-pop, mas é muito lento e não-dançável. Os beats e a voz dela, muito macia e “empolgada”, tampouco me deixam apreciá-lo como uma obra mais emotiva. Negirdėta Lietuva de Saulius Petreikis é música tradicional lituana, com muito foco em madeiras. As faixas são curtas e muitas, e bem sequenciadas, cada uma durando só o necessário. Gosto muito da música mongol-siberiana, e o conjunto lendário tuvano Huun-Huur-Tu se uniu ao americano Carmen Rizzo para fazer o EP Koshkyn. Os toques eletrônicos de Carmen não acrescentam muito, até atrapalham às vezes, mas, no mais, são quatro novas canções de um grupo que eu amo. Амыр-Санаа (Amyr-sanaa) dos também tuvanos Hartyga une o som siberiano com rock progressivo. Aprovei a ideia, mas a realização das músicas em si poderia ter sido melhor. Vejo muito potencial neste estilo.

Твои глаза da daguestanesa Аминат Ибиева (Aminat Ibiyeva) é um dance-pop do Cáucaso, muito bom, rápido e fervente, com muita sanfona e um lustre eletrônico. İstikrarlı Hayal Hakikattir, da turca Gaye Su Akyol não empolga tanto, mas é satisfatório. Não tenho muito conhecimento sobre música turca, mas me parece algo que representa para os turcos o que a MPB é para o Brasil. Talvez com maior conhecimento eu pudesse diferenciar mais se é algo banal ou se tem sutilezas que trazem grandeza. O muito aclamado álbum 무너지기, do sul-coreano 공중도둑 (Mid-Air Thief) é um pop leve, meio ambiente, meio psicodélico, não curti. Sua compatriota 박지하 (Park Jiha) foi muito mais bem-sucedida com seu Communion, um disco minimalista de beleza discreta e instrumentos tradicionais coreanos. Sujud, de Senyawa, traz um som que parece mistura de música tibetana com noise rock vindo e pitadas de Current 93, vindo de um grupo indonésio. Não conseguiu me passar o sentimento de autenticidade tão importante para me conquistar com esse tipo de música. Djarimirri, do falecido cantor aborígene australiano Gurrumul, é um álbum daqueles que, de tão lentos e emotivos, caso consigam romper uma certa barreira no meu coração, eu consideraria uma obra-prima. No entanto, se eles não atravessam, então é muito difícil para mim apreciar a música, embora eu racionalmente admire o que há aqui.

Uma tendência na música latino-americana é de misturar os sons locais com música eletrônica. Ouvi Ch’usay, dos peruanos Novalima; o autointitulado da dupla caribenha Trending Tropics; Mambo Cosmico, dos mexicanos Sonido Gallo Negro, que é uma cúmbia eletrônica; o autointitulado dos argentinos Panchasila, este mais para ambiente; todos não passam de ok. Não há um disco de 2018 no qual este som está melhor realizado que nas duas primeiras músicas de Bienaventuranza, de Chancha Vía Circuito. O disco todo é muito sólido, muito bem produzido, com uma atmosfera de amor pelo mundo, mas as duas primeiras músicas em particular acertaram na veia. Se o disco mantivesse o mesmo nível por toda sua duração, seria um dos meus favoritos do ano; do jeito que é, ainda assim é muito bom. Escutei também os dois mais proeminentes discos de reggaeton consecutivamente. O muito criticado Fame, de Maluma, me pareceu inócuo e um pouco irritante na primeira escutada, e foi ficando mais cansativo. Ao ouvir Vibras de J Balvin, ficou evidente o quanto mais de energia o gênero pode atingir. Norma de Mon Laferte é um bolero-pop bem peguento, especialmente a primeira música, Ronroneo. Natalia Lafourcade em Musas Vol. 2 repete a fórmula do volume 1, alternando canções próprias e do cânone latino-americano. Bom álbum, mas não há aqui uma canção que se destaque tanto como Que ha pasado con quererte, e neste mesmo ano, foi lançado um disco com os mesmos elementos, mas muito melhor…

Estou falando de Folclor imaginario, do chileno Gepe, e devo dizer que a partir daqui, começam os meus dezesseis álbuns favoritos de 2018, sem uma ordem específica. Folclor imaginario é uma busca de resgate da cueca, música romântica de violão latino-americana do começo do séc. XX, especialmente influenciado pela cantora Margot Loyola. Acredito que foi muito bem-sucedido nisto, por três fatores: o primeiro e mais importante é que o disco é delicioso e bem sentido, o segundo é que ficou muito difícil para eu, que não tenho tanto conhecimento desta área, distinguir o que era novo e o que era antigo, e o terceiro é que me deu muita vontade de descobrir mais desta rica tradição. O conjunto Okonkolo, em seu Cantos, traz força rítmica e vocal em música de santería, com arranjos ricos, usando de elementos de rock e música clássica ocidental, por exemplo, sem nunca descaracterizar a pura santería. Tudo permanece muito fácil na sua mente, e é incrível como ele mostra tanto poder e ao mesmo tempo tanta leveza. Fechando a trindade latino-americana, Bajo el mismo cielo da cubana La Dame Blanche é um exemplo de primor em hip-hop. Flow, ganchos, produção, diversidade, tudo aqui é excelente.

A dança dos não famosos de Mundo Livre S/A soa espesso e denso, como os seus álbuns clássicos dos anos 90 nunca soaram. É uma obra conceitual que traduz os anos Temer da história brasileira. Já li por aí que este disco já saiu datado, que perdeu o impacto, pois já estamos na era Bolsonaro, mas eu discordo fortemente. Primeiro que, musicalmente, o álbum é muito forte. Segundo que em grande parte o desgoverno Bolsonaro é continuação direta de Temer, então grande parte do conteúdo continua extremamente relevante. Dirty Computer de Janelle Monáe é igualmente influenciado pelas atribulações políticas e ideológicas da era Trump dos EUA, e pela morte de Prince. Talvez seja o disco mais “significativo” da carreira de Janelle, O disco de protesto dos anos 10. Mas ao mesmo tempo, musicalmente, não atinge os mesmos picos dos dois discos anteriores. Deus é mulher de Elza Soares é a continuação d’A mulher do fim do mundo. Segue a linha do magnífico antecessor, mas, até para refletir estes tempos tristes, tem uma pegada mais sombria, e por isso talvez, uma sonoridade mais “rock” e menos “samba”. O melhor disco político do ano é Memórias do fogo de El Efecto. Rock progressivo no sentido raiz, é a prova cabal que o gênero pode ser completamente relevante nos tempos atuais, desde que mantenha a atitude dos desbravadores dos anos 70, ao invés de buscar apenas repetir seu som. As letras revolucionárias combinam com as melodias perfeitamente, formando canções que vão e voltam e agradam tanto às partes mais racionais do cérebro quanto as partes mais profundas e rítmicas. Vigor e melodia estão no máximo nível aqui, e a variedade de influências em cada faixa não para de surpreender.

Se os renovadores do coco e ciranda obtiveram resultados díspares, os medalhões não foram menos que estelares. Depois de quase 10 anos já gravado e pronto, e 8 anos após sua morte, foi finalmente lançado o primeiro e único disco solo de Biu Roque, A noite hoje é maior. Fez jus à sua magnífica história, sempre marcado no passo, e sua voz única encantando em solo, ou contrastando nos vários duetos. Ainda melhor foi a colaboração de Nélson da Rabeca com o suíço radicado no Brasil Thomas Rohrer, Tradição improvisada. Incrível a diversidade de texturas que eles atingem do que é basicamente um dueto de rabecas, indo do baião tradicional a improvisações vanguardistas dissonantes. As faixas com participação da esposa de Nélson, Dona Benedita, trazendo seus vocais roucos, dão uma boa quebra, aumentando a variedade do álbum. O álbum é talvez longo demais, e especialmente no par de faixas “Deodoro” / “As andorinhas”, fica cansativo, mas logo depois se recupera nas faixas seguintes, e enfim, acho que o propósito é mais de registrar tudo que foi feito nas sessões entre os dois.

O gênio Kanye West, após apoiar Donald Trump e ser internado num hospital por psicose causada por extrema falta de sono e desidratação em 2016, retirou-se para um rancho no estado estadunidense de Wyoming para fazer música. O resultado foram cinco álbums, de artistas diversos, mas produzidos por Kanye, todos com menos de meia hora de duração, lançados um por semana, consecutivamente, a partir de 25 de maio de 2018. O primeiro da leva foi Daytona, de Pusha T, e não poderia haver um começo melhor que a pedrada If You Know You Know para mostrar a que veio. Tudo é de primeira qualidade aqui, mas com uma certa planeza, como se o disco se entregasse totalmente na primeira escutada, e depois, você pode (deve) apreciar os mesmos elementos, todos ótimos, mas não há mais nada a ser descoberto.  Em seguida veio ye de Kanye, em muitos aspectos o oposto de Daytona, e em outros tantos, seu segundo ato. Mantêm a mesma estética e fluem muito bem de um para o outro, mas diferente do anterior, este faz uma primeira impressão ruim. Pode ser culpa da faixa que abre o disco, I Thought About Killing You, que não é nem de longe a música mais acolhedora, iniciando sua experiência com o pé errado. Ou será mesmo? Pela quarta ou quinta vez que a escutei, passei a sentir seu verdadeiro impacto. O que parecia ser uma baboseira “oh, como sou psicopata” vira uma estrutura musical genuinamente brilhante. O resto do álbum segue essa linha, apesar de não haver uma diferença tão grande entre escutadas como na primeira faixa. Tudo aqui tem facetas, que eu posso perceber em uma sessão e não mais na seguinte, e com cada descoberta nova, eu fiquei gostando mais e mais. Daytona e ye, hoje eu os considero do mesmo nível, mas o terceiro disco da sequência é ainda melhor. O autointulado de Kids See Ghosts, colaboração entre Kanye e Kid Cudi, tem o melhor dos dois lados. Não só deslumbra na primeira escutada, mas tem sutilezas para se desvendar nas escutadas subsequentes. Tudo aqui é imponente, com produção basicamente perfeita, com um elemento de gigantismo, mas ao mesmo tempo sem a atmosfera de excesso de My Beautiful Dark Twisted Fantasy. É o segundo lugar na minha lista dos favoritos. Os dois últimos discos das sessões de Wyoming são Nasir, de Nas e K.T.S.E. de Teyana Taylor. Estão longe de serem ruins, mas estão longe da excelência dos três primeiros.

Siri Ba Kele, do conjunto burquinabê Baba Commandant & the Mandingo Band, é um tipo de álbum sobre o qual eu tenho muita dificuldade para escrever. É um afro-funk repetitivo e rítmico, com uma pegada que não deixa minha parte racional da mente trabalhar, mas mesmeriza do começo ao fim. Os nigerinos do Tal National soltaram toda sua fúria musical em Tantabara. Se no ocidente o rock em geral parece estagnado, na África ele vive. As guitarras, selvagens, e a bateria funcionam como uma máquina bem azeitada, são as melhores do ano em particular. O selo alemão Analog Africa lançou a sequência de sua compilação de vários artistas African Scream Contest. O primeiro volume, de 2008, foi minha introdução à musica beninense, e guardo um amor muito forte a ele por isso. Quando eu li as palavras African Scream Contest volume 2, eu não pude evitar de criar expectativas de que ele seria como o primeiro, que haveria um segundo mundo musical beninense inteiro para mim, para ser descoberto, e claro que as coisas não são assim. Passada a leve e inevitável decepção, principalmente em escutadas subsequentes, passei a amar este disco, ainda que não tanto quanto o primeiro, como a coleção maravilhosa e diversa de canções de uma era e lugar que me encantam tanto. E a escolha dos artistas ainda foi muito bem pensada, trazendo além dos figurões como os Volcans de Porto-Novo e a Tuit-Puissant Orchestre Poly-Rythmo, nomes mais obscuros como Elias Akadiri e Picoby Band d’Abomey. E remedia a ausência do volume um de um dos meus maiores ídolos, Stanislas Tohon, que aqui arrasa tudo com sua pedrada Dja, dja dja. Por fim, meu disco preferido de 2018, Yen Ara de Ebo Taylor, para mim, é o que mais expõe a tristeza do domínio anglofônico na mídia global. Não fosse o idioma, canções como Krumandey e Ankoma’m seriam consideradas clássicos universais do funk, do mesmo patamar de Tear the Roof Off the Sucker (Give Up the Funk) e Get Up I Feel Like Being a Sex Machine. Yen Ara atinge a perfeição em melodia e composição, maestria instrumental, tudo pulsando guiado pela juventude e vigor de sua voz de 82 anos de idade! Escutem este disco, meus queridos, vocês irão se surpreender. Divulguem a música africana!

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Marcelo D2 – Amar é para os fortes (2018)

a1hxcqjpofl._ss500_Por Francelino Prazeres de Azevedo Filho

O hip hop brasileiro passou por uma fase muito interessante no começo dos anos 2010. Digo “interessante” e não “era de ouro” porque estou falando das minhas opiniões, e pelo que vejo, a crítica especializada não concorda com minha visão, não 100%, ao menos. Naquela época, a moda da vez era um hip hop antropofágico, que sugava as influências dos inúmeros gêneros e tradições musicais brasileiros, sempre trazendo samples obscuros, ganchos que grudavam na cabeça, e um som que borrava o limite entre rap e MPB. Depois, talvez por causa da natural mudança de tendências musicais, talvez por causa do golpe de 2016 que afundou e continua afundando as perspectivas sociais e econômicas brasileiras, o som do hip hop mudou. Ficou mais cru, mais trap, mais agressivo, mais isolacionista e menos melódico. E embora eu reconheça a importância e a necessidade social de tal estilo, particularmente nas letras, não consigo apreciá-lo musicalmente. Para mim, o que era uma “era de ouro” acabou precocemente, sem atingir completamente o gigantesco potencial que eu via.

Ninguém mandou o memorando para Marcelo D2, no entanto. Seu Amar é para os fortes parece situado completamente no estilo de Criolo, Conká, Senzala Hi-Tech e Ogi. É uma espécie de musical hip-hop, lançado em acompanhamento a um curta-metragem de mesmo título, estrelado pelo filho de D2. Como não vi o filme, não posso comentar das qualidades do mesmo, mas no álbum, trechos de diálogos estão presentes em quase todas as faixas, e, devo dizer, pelo que aparece no disco, a história é bem fraca. O diálogo abaixo, da canção Parte 2, é particularmente patético, artificial, e agride meu paladar de tal forma que por si só já seria suficiente para me fazer abaixar a nota:

– Então, vem cá. Francesa, vai morar em Nova York. Daí tu conhece a brasileirada toda modelo, te apresenta o modernismo e tu resolve vim pra cá pro Rio pra estudar Tarsila do Amaral. Caralho, hein, cara. Tipo, privilégio que virou curiosidade ao invés de virar medo. Visão.

– E você, cara sensível que vai parar lá na galeria pra ficar mais perto da arte, esperto isso. Quero dizer, falta que virou curiosidade ao invés de virar ódio.

Se os outros diálogos parecem ter vindo de uma minissérie da Rede Globo, este foi retirado diretamente de uma temporada perdida de Malhação.

Já musicalmente, o álbum é muito bom. Seja por meio de samples ou melodias originais, ele bebe de toda uma variedade de gêneros brasileiros e até mesmo do pop francês retrô, em uma faixa. Depois da tempestade, a faixa em questão, teve seu refrão escrito pelo francês Sasha Rudy, na época com 16 anos, e se destaca pela sutileza e doçura num disco em geral mais áspero. Ainda melhor é Resistência cultural, que após ter sido lançada como single, com participação de Siba e Hélio Bentes, ganha uma versão diferente no álbum. Desta vez com Gilberto Gil nos vocais, e uma sonoridade de sanfona e flauta que parece que veio direto das colaborações de Gil com Dominguinhos nos anos 70. Falando em Siba, foi muito bom ver a magnífica Folha de bananeira, da sua Fuloresta, na voz de Biu Roque, ser sampleada justamente na canção-título, ainda que para mim seja uma das mais esquecíveis do disco em rap e gancho. Febre do rato é instigante, e foi feita sem samples, mostrando o quão bacana fica o som do hip hop com instrumentação assim. Filho de Obá fecha o álbum com seu magnífico refrão em afro-samba cantado por Danilo e Alice Caymmi. Tem uma participação talvez até simbólica de Rincón Sapiência, que para mim é de longe o melhor da geração pós-2016 do hip hop.

O disco é curto, somente 32 minutos, incluindo as conversas moles em todas as faixas. De suas 10 músicas, 4 são sem muita estrutura, do tipo que, em álbuns maiores, sobram e até fazem ligação entre as outras. Neste, entretanto, não há muito a ser ligado, e senti muito a falta de mais canções de porte, que mantivessem o nível de Resistência cultural, Febre do rato e Filho de Obá. A força destas acaba diluída, e sem a constância da pressão musical, não consegui me apaixonar pela experiência. Ainda assim, achei lindo o resgate do estilo do começo dos 10s, e espero que esta obra incentive mais artistas a se enveredar por este caminho. Se não o disco todo, ao menos as músicas mais fortes deixam bem claro como tal caminho pode ser maravilhoso.

SPECIAL REVIEW PROJECT: 2017 IN REVIEW – Best and Worst Albums of 2017

2017 IN REVIEW
By Francelino Prazeres de Azevedo Filho

francey's top nine

So, here I am again with a list of 141 musical releases from the year 2017, to listen to, sieve and discover gems and potential favourites. These releases form a very motley selection, for they were picked through a variety of means. Many Anglophone and Brazilian ones came from a methodical cataloguing of best-of-the-year lists, to see which ones got to higher positions more often. Some were chosen due to the recommendation of friends or acquaintances, or simply because something in it piqued my attention. I ended up with 25 African albums, 41 Anglophone ones, 6 from Asian artists, 47 from Brazil, 13 from Europe and 10 from the rest of Latin America.

I’d like to start with the continent from which we all came, and whose music is so sadly ignored by most people. From northern Africa, the Tuareg genre of tishoumaren continues to produce many strong releases. Some were more peaceful, like Mdou Moctar’s Sousoume Tamachek, and some were bluesier, like the hypnotic Kiral, from Tamikrest, containing my favourite guitars of 2017. Award-winning icons Tinariwen also released a typically good album in Elwan. As tishoumaren is overall a stylistically uniform genre, I must say I am disappointed with the attempt to mix it with post-punk, by Saharawi band Group Doueh with the French Cheveu. This fusion, in my opinion, has the potential to be much better realised than it was in their Dakhla Sahara Session.

African jazz also had a good crop last year. Legendary drummer Tony Allen’s The Source had some great funky tracks, Orchestra Baobab threw out their warm Afro-Cuban Tribute to Ndiouga Dieng, but my favourite of the bunch was Mistakes on Purpose, the 30th volume of the Éthiopiques series. It continues the trend set with last year’s Awo by Ukandanz, in which Ethiopian veterans join French ethio-jazz bands, in this case Girma Bèyènè with Akalé Wubé respectively. The result was a very solid album, even if did not reach Awo’s fierce intensity.

The final trend from Africa that I’ll mention is that of female-fronted Mandé music. Of those, two I’d like to mention later, among my favourites, but while Awa Poulo’s Poulo warali wasn’t quite as good, it still had an excellent first four tracks. Sadly, the disk got too repetitive by the end.

Onto Brazil, now, on the more rootsy side of things. Mateus Aleluia’s Fogueira doce did an afoxé-tinged MPB that was peaceful and warm with a tinge of sadness. Fabiano do Nascimento’s Tempo dos mestres was reportedly jazz, but drawn from Northern and Northeastern Brazilian traditions. He failed to absorb any of the energy of those sources, and the result was folksy-jazzy shit that goes nowhere, just annoys and tires the mind. To add insult to injury, he also found time to ruin the classic O canto de Xangô by Baden Powell & Vinícius de Moraes. Far more faithful was Yangos’ Chamamé, which did accordion-based Gaúcho music with ease, even if without any significant innovation.

In Brazilian hip hop, I can say that we have seen the complete transition of styles. In the early 10s, artists like Criolo, Ogi and Karol Conká would mix in influences from a whole gamut of Brazilian genres like samba, MPB or repente, to make a dazzling, melodic hip hop. These days, their objectives seem unfinished, for while there is still a lot of untapped potential, even their luminaries have moved away from it. Criolo has gone full samba, and Ogi’s Pé no chão is good, but far from the brilliance of 2015’s R A !. The new generation, however, seems far more interested in a new, raw, trap-inspired production, with screamy or just annoying voices, overall very unpleasant to my ears. I think it is partially due to shifts in American hip hop, but just as much to blame is the coup that put Temer into our presidency, and darkened much of our population’s perspectives towards the future, especially the poor. The worst ones were Djonga’s Heresia and Baco Exu dos Blues’ Esú, but nill’s Regina, Flora Matos’ Eletrocardiograma, Don L’s Roteiro pra Aïnouz, Vol. 3 were also very weak. Some of the new generation have made some alright albums, like Ricón Sapiência’s Galanga livre and the aptly named all-women group Rimas & Melodias’ self-titled debut. American trap has been far better than Brazilian though, with many strong, lush releases like Migos’ fun Culture and especially Future’s melodic and surprisingly melancholic HNDRXX.

Two queer artists with sexualised urban music also achieved notoriety in Brazil. Pabllo Vittar, popstar and drag queen, achieved larger success among the public, but his Vai passar mal was overall weak. The hit single K.O. is very catchy, though. Trans woman Linn da Quebrada’s vulgar funk carioca from Pajubá made a stronger impression on me. Far better than the both of those, Tyler, the Creator’s coming-out statement Flower Boy has some great soulsy production made with so much care that it reminded me of the early Kanye albums. It might be my favourite hip hop release of the year, along with Brockhampton’s Saturation III. The whole Saturation trilogy is pretty good, making use of the voices of their many different members to make a sort of kaleidoscopic effect. It is also very interesting to see how much they evolved, both in production as in hook making, in a single year.

Now to get this out of the way: DAMN was very good but I don’t see it as being excellent, and I still consider Kendrick’s masterpiece to be good kid, m.A.A.d city. Finishing my hip hop list, I liked Jay-Z’s 4:44, catchy and cool with great samples, and Damso’s Ipséité, rapped in French with fine flow, but was underwhelmed by Vince Staples’ Big Fish Theory, although I must say I loved Kilo Kish’s participation in Love Can Be… and will try to find more stuff from her.

Among Latin American musicians, the trend was to mix traditional genres with modern lush productions, making stuff that felt fresh and with a lot of potential, even though this year’s batch didn’t quite make an excellent album. The best for me was Puerto Rican group ÌFÉ’s IIII+IIII, which takes Afro-American (Santería) religious music as a base and spices it with all sorts of Caribbean genres, and takes it through an electronic sheen to make something dazzlingly polyphonic when it’s fast, and pretty and mellow when it’s slow. The other three albums I’d like to mention are all rooted in beautiful female vocals. Sister duo Ibeyi’s Ash couldn’t make the most of their voices due to inconsistent songwriting. Irka Mateo’s Vamo a gozá travels through various local genres, while Las Áñez’s Al aire was more alien and atmospheric pop, both were equally good.

Still on Latin America, it was sad that Colombian bullerengue legend Magín Díaz died so soon after his El orisha de la rosa was released. Having written many classics of the Colombian canon since the 1930s, he was nonetheless ignored for most of his life, up until 2012. His last release, full of guest stars, felt like the recognition he always deserved. Another dead icon, Moroccan gnawa musician Mahmoud Guinia, had his final studio recordings released last year, on the posthumous album Colours of the Night. While very poignant, it didn’t match the energy of his earlier records to me.

Of course, among all those albums, I made sure to listen to the new releases of many of my favourite artists. Chico Buarque is one of what I consider the Holy Trinity of Brazilian music, an all-time great. His Caravanas, however, brings the worst aspects of his songwriting, a collection of self-indulgent poetic bossa nova ditties that bores the shit out of me. Still, he definitely has earned the right to indulge himself, and at this point in time, doesn’t need anyone’s approval for anything. Love you, Chico. Another self-indulgent release from a favourite was Nação Zumbi’s Radiola NZ, vol. 1, in which they perform songs that influenced them, with very mixed success. Their renditions of Refazenda and Não há dinheiro no mundo que pague are great, but O balanço and Sexual Healing are embarrassments. Tribalistas’ new self-titled album is a good effort in mixing pop-rock with MPB, every song having its own dosage of the mix. Those very elements were also the foundation of Otto’s solid Ottomatopeia. Metá Metá released a very interesting and rhythmic avant-garde soundtrack for the dance spectacle Gira. The group’s members also released other records: vocalist Juçara Marçal joined Rodrigo Campos and Gui Amabis to assemble the inspired, poetic and uneasy Sambas do absurdo, inspired in the philosophy of Albert Camus, while guitarist Kiko Dinucci’s solo Cortes Curtos’ short post-punk tunes underwhelmed me. Even worse was Curumin’s Boca, in which he tries to become “artsier” while losing his catchiness.

Fleet Foxes’ first new release since Helplessness Blues in 2011, Crack-Up, offered a denser, but less immediately melodic take on their intricate folk pop. It was good, but their two previous efforts are masterpieces to me. I knew that this new disk had to be different, however, and I hope they can regain their brilliance while following this path. A clear improvement from the preceding album was Lorde’s latest. Pure Heroine had its moments, but Melodrama has so much subtle touches, with her perfect intonation elevating the emotional level. My greatest criticism is that it could have used more cathartic refrains like in Homemade Dynamite or Writer in the Dark.

Perfume Genius’ dream-poppy No Shape was nice, especially given how much I disliked his previous Too Bright. Now Jay Som’s Everybody Works on the other hand, was the type of music that I thought was over. This sort of slow electronic-y indie pop was never good back then, and now it’s both bad and passé. Sheer Mag’s Need to Feel Your Love baffled me: they travelled through the whole diversity of early 70s pop and rock, from hard rock to glam to disco, and it could have been very catchy, but they tied it all with screeching, effects-laden vocals. Maybe just a little bit less screech would have turned this 180º to me, but as it is, it’s very hard to listen to. Far more pleasant was The OOZ by King Krule. It draws from Tom Waits, hip and trip hop, resulting in a smooth, talky rock.

A big notable trend in Anglophone music was this new wave of soul / R&B. Slow, glossy, and far more attuned to pathos rather than the simple emotions of joy and sadness. The quality varies. Sampha’s Process and Kelela’s Take Me Apart have pretty production but little else to entertain me. SZA’s Ctrl fares much better, but it still doesn’t match the critical acclaim it received in my opinion. The Kendrick track is great, but the one with Travis Scott, oh boy… awful! The real standout of this set was Moses Sumney’s Aromanticism. It’s very unique, almost as influenced by Kid A as What’s Going On. I’ll even wager it’ll start a new trend, one whose development I will be curious to track. Brazil also had a soul release that got recognition, Xenia’s self-titled debut. It consists on versions of MPB songs done in her style, but still maintaining the original diversity. The slower tracks drag a bit, but the faster ones are good, especially Chico Cézar’s Respeitem meus cabelos, brancos.

Brazilian pop-rock had its best release in Maglore’s Todas as Bandeiras. It doesn’t do anything that different, it’s just strong hooks and melodies with pleasing textures, but that’s all that I need, really. Those are lacking in Lá vem a morte, by the extremely overrated Goianan band Boogarins, themselves an inferior version of the already overrated Tame Impala. On the other hand, Scalene’s Magnetite had many people turn up their noses due to its banal lyrics about society’s problems, but musically, it is adequate. Vanguart’s Beijo estranho is also solid, while Giovani Cidreira’s Japanese Food has that awful thing where the lyrics don’t fit in the melodies, like Legião Urbana or Cidadão Instigado, making it a very uncomfortable listen.

Going on to Europe, Andrea Laszlo De Simone paid homage to his native Italian lush pop from the 60s and 70s in his Uomo donna. While I really dug its sound, I felt that he was too willing to sacrifice the flow of the album to make bigger statements. Many songs are 2-3 minutes longer than they should have been, and Gli uomini hanno fame has an awful 4-minute-long intro with random political recordings. Despite its flaws, it was still a very interesting listen, as was Japanese band ゲスの極み乙女 (Gesu no Kiwami Otome)’s 達磨林檎. Rich, melodic, jazzy and proggy, though sometimes too lightweight to be fully engaging.

Europe and Asia also had some noteworthy releases on the folkier side of things. From West Java, Indonesia, the duo Tarawangsawelas’ Wanci attempted to modernise the local sacred music, called tarawangsa, which consists mainly of repetitive acoustic drones done in just two string instruments. Despite that, they were much better in the sole longer, more conservative, track, Sekalipun, than in the shorter, supposedly more palatable, ones. Bridging the two continents, Meïkhâneh’s La Silencieuse draws from everywhere between southern France to Persia to Mongolia, providing innovative combinations for those familiar with the musical vocabularies of those regions. Oj borom, borom is Ukrainian folk done by a Polish duo, Maniucha Bikont & Ksawery Wójciński, vocalist and contrabassist respectively. Focused on textures, it can be great when you’re receptive, but it might be too repetitive when you’re not. There were also two albums based on a capella Iberian traditions. Galician Xosé Lois Romero & Aliboria’s self-titled debut, while not bad by far, lacked the vibrancy of the other one, which figures on my favourites list.

Of everything to which I’ve listened, two albums stood out as the worst. Nina Becker’s Acrílico consists of poetry written with no ear for meter or rhythm, and lacking melody, set to tacky bossa-nova-ish instrumentation. That would be bad enough by itself, but the lyrics are embarrassingly bad as well. Somehow even worse is Father John Misty’s Pure Comedy. It also has embarrassingly bad lyrics. And nothing else. The fucker gave up on any sort of musicality whatsoever, just to record words like: “oh, their religions are the best / they worship themselves yet they’re totally obsessed / with risen zombies, celestial virgins, magic tricks, these unbelievable outfits”. I actually stopped, disgusted, at around 3 minutes in the first track, and I am an atheist Marxist! And honestly, after finding out this album is fucking 75-minutes-long, I’m so offended, that I refuse to spend a single second more listening to shit utter garbage.

Conversely, I have nine albums I would call my favourite releases of 2017. Of those, my top two, in their particular order, are well cemented in my mind. For the others, I tried ranking them as I wrote this essay, but those positions are very fluid in my mind, and they are all of similar quality to me.

The album I placed as the ninth best release of 2017 was Luyando, by Zimbabwean group Mokoomba. It’s afro-pop-rock of the catchiest sort, while keeping a reasonable diversity in style. Songs like Kulindiswe and Kumukanda will stick to your mind if you listen to them, and you won’t want them out! On the eight spot, the instrumental post-rock in Kalouv’s Elã. Refreshing and enticing, it built novel soundscapes of varying colours without resorting to the tired “crescendocore” formula. The seventh place, Ladilikan, was an unusual collaboration between Malian griot Trio da Kali and Seattle-based chamber music Kronos Quartet. The music is overall in the Mandé tradition, carried principally by female vocalist Hawa Kasse Mady Diabaté’s expressive vocals, with added depth by the incredibly fitting and well-oiled mix of European strings with the balafon and ngoni. There’s an odd American gospel song in the middle that robs the album of some momentum, but it is easily regained. St. Vincent’s Masseduction takes the sixth spot. While I generally hate the prefix “art” when used on genres, I have to accept that the best way to describe this is “art-pop”. Sexy all over, sometimes manic, sometimes melancholic, always alluring.

We shall return to the aforementioned a capella Iberian music for our fifth position. Ao longe já se ouvia, by Portuguese all-female group Sopa de Pedra, has harmony and playfulness by the bushel, making a very entertaining, unique listen. Oumou Sangaré, Malian songstress from the Wassoulou region, takes the fourth spot with her Worotan. Carrying forward the style for her region, her sound might resemble blues to the western listener (actually blues probably originated from Wassoulou music), but with a hooky, poppy sheen. Her voice is just entrancing! On the third place, Criolo’s love letter to old-school samba, Espiral de ilusão. While it didn’t do anything that hasn’t been done before, it travels through all the varieties and strains of the genre. The transparent admiration for the masters only makes it more endearing. The second-best album of 2017 to me was Msafiri Zawose’s Uhamiaji. If you read about it on the internet, you might think it is traditional Gogo music from Tanzania, but Mr. Zawose has actually done what I believe most electronic music I’ve heard fails to achieve. The use of acoustic percussion gives a strong oomph to the mesmerizing rhythms, which are innately pleasing.

Finally, my favourite 2017 release was Sufjan Steven’s Carrie & Lowell Live. While there was undeniable beauty in the original studio version of Carrie & Lowell, I always felt it lacked something, particularly by abandoning the maximalist arrangements of his previous releases. The live version more than fixes that, maintaining all the beauty while adding huge doses of power, both from the return of the maximalism, and from the rawer vocals, with natural cracks and imperfections, greatly raising their emotional impact. The sum of all those parts is touching and radiant, and not even the weird Drake cover at the encore can detract from such a wonderful experience. For all the other marvellous stuff I’ve seen from last year, this is still the apex in terms of music and emotion!

Osamu Kitajima—MASTERLESS SAMURAI (1978)

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Review by Francelino Prazeres de Azevedo Filho

Assigned by Victor Ferreira Guimarães

Why do people in this game keep assigning me instrumental mild-mannered electric folk-jazz? I don’t like this type of music, never did! Go figure. After reviewing Akelarre, in which American soulsman William S. Fischer travelled to the Basque Country to mix Basque folk melodies to modern genres, I now get to review Masterless Samurai, whose author, Osamu Kitajima, did the opposite. Born in Japan, he travelled, first to the UK, then to Los Angeles, to absorb Western influences and make fusion of his traditional Japanese music to prog and jazz. And it’s uncanny not only how those two albums resemble each other, but also in how they make me feel.
Consisting of 10 instrumental pieces, with most being less than 5 minutes long, and the longest one not even reaching 7 minutes, one would imagine they didn’t overstay their welcome. Sadly, this isn’t the case. The main problem is that the songs lack both dynamism and emotion. No song builds to anything, there’s no big changes or progression, they end the way they started, so there’s no tension, nothing to surprise the listener. And, mood-wise, everything just goes for “well-played background”.

Texture-wise, there is much less of those marvellous Japanese woodwinds than there could have been, which is a pity. My favourite song here, “Sei”, is precisely the one that explores them the most. It is also one of the few songs that goes for a mood (relaxing), rather than being just noise. The awful bossa-nova-ish “Floating Garden” is the worst of the bunch. Japanese strings are also present in many tracks, but again in a not very prominent position. The rhythm section is very technically proficient, but they are just there, making noise but not making sound. I really think this album could have used more minimalist percussion to great effect. The same could be said for all the guitars, synths and electric pianos present in all tracks. All songs invariably have sections with all those instruments, with no variation in tone or texture. The way it is, everything feels too busy with no payoff, and too samey.

In the end, Masterless Samurai feels like something that was done for the sake of itself. A mixture that was focused more on the ingredients that had to be put in the pot, rather than the taste of the stew.

WILLIAM S. FISCHER – Akelarre (2005)

Reviewed by: Francelino Prazeres de Azevedo Filho
Assigned by: Schuyler L.

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This here is an oddity; American arranger and film score composer William S. Fischer had travelled to the Basque Country in Spain, and decided to record funky versions of their traditional songs. The name of the record couldn’t be other than “Akelarre”, which might be the only Basque loanword in the English language. The word itself comes from the words “aker”, “he-goat”, and “larre”, “meadow”, but is more accurately translated as “Witches’ Sabbath”, the place where they were supposed to perform their dark rituals, guided by Satan in the guise of a black he-goat.

Despite having such an occult title, Akelarre itself is quite lightweight. All the tracks are completely instrumental, and they have the base melodies taken from the Basque musicality, and those are usually done with the flute. The other most prominent instrument is the electric guitar, which is often very screechy, to the point where I don’t know whether it’s playing distorted folk lines, or adding new ones. Not that it matters, it is the strongest point of the record! Completing the line-up, there is a jazzy/funky rhythm section of bass and drums, nothing out of the ordinary, and some electric effects.

Now, the flaw of this approach is that, most of the time, it is too mellow to have the strength funk demands. The flutes are played in a very… “softspoken” way, that lacks the acuteness that I so love in this instrument. This problem is particularly notable in the stretch from the third to the fifth track, in which the album slogs in flimsy jazzy wallpaper. The sixth track, “Eguntto Batez”, my favourite, comes to the rescue then, and it’s almost shocking how fierce it is, specially by the halfway mark where the guitars start raging in a solo clearly inspired by Eddie Hazel! The rest of the album sits in between these two extremes, and to be fair, not even at the lowest point this is as annoying as some jazz I’ve found. The ninth track, Xarmangarria, is also a highlight.

The basic Basque melodies themselves are also beautiful, and the more I listen, the more I notice the traditional backbone that holds this album. I’d say this particular factor makes Akelarre a “grower”, and not as much an obvious jazz-fusion as it would have seemed. However, and this might be more of my flaw as a listener, I can’t help but feel the lack of vocals really hampers this album, and make it much less interesting than it could have been. A coarse voice singing or even chanting something in Basque would do wonders to make even the most uneventful parts more interesting! It might even bring some of the promised witchcraft to this otherwise nice album.

PAUL MCCARTNEY – Press to Play (1986)

Review by: Charly Saenz
Assigned by: Francelino Prazeres de Azevedo Filho

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Welcome to the Rock Superhero Bashing Circus! Well, as you might know “Press To Play” is usually indicated by some reviewers (oh those are terrible.. Oops) as Paul’s nadir. Oops again: I used to despise this album. But my fellow reviewer has given me the opportunity to explore this album under a new light; mostly in the darkness of my room, to be honest – just the music, and no videos. Those really didn’t stop playing back in the day. That wasn’t good.

“Stranglehold” is an extraordinary start. It’s strong and luminous, slightly bluesy. I feel some good 90s vibe here, even a bit of Lloyd Cole. There’s a double bass quality in the rhythmic base and the sax touches are totally engaging.

I changed scenery for the second song “Good Times Coming/Feel The Sun”. Had to step out in the street on a cold threatening night, so I mounted the Fiio DAC and the Sennheiser cans on my head and I connected the DAC to my Android phone. BOOM! POW! Well, all those Batman 1966 onomatopeias. After the goofy start, it really blew my mind. You know sound counts, this is mostly a finely recorded album, no matter what they say.

I’m back in the computer and I launch the next song, “Talk more talk”, on the Yamaha amp. This one is a tad more annoying in the production department. The song itself is interesting (the guitar work is indeed very detailed) but it goes nowhere. Still, hardly offending. “Footprints”, instead, is one FINE Macca-style song. Extremely joyful details (some remind me of the future “Driving Rain” but everything was a little more guitar-rocking there). There’s a cracking detail in Paul’s otherwise still beautiful voice.. Is this when he starts to show the signs of age? “Press(ed) to play”..

About that song, and let’s forget the video clip, it’s probably the weakest in the lot. Paul what were you trying to achieve? This album has no hits (Will you count the bonus track, “Spies like us”? Well that video was.. slightly funny) and this is for the best: “Press” is really awful with the extremely tiring electronic drum, the echo vocals. No, please: “Never like this”.

Save your breath, then we have another little gem, “Pretty Little Head”, that could have been considered an A-HA (or even Tears For Fears) song as it begins. Here the electronic drums roll deliciously over the keyboards, and there’s that feeling that Paul is on the loose, experimenting.. The “African” voices are exquisite; the intertwined guitars and of course the effect-laden synths. It might be a little long; but I won’t complain, Paul is having fun.

As if he was paying the debts for “Press”, he scores high again with “Move Over Busker” (“Busker”.. Wasn’t that a movie with Phil Collins?). An engaging number, with more traditional sound, and a line that is certainly closer (specially in the second part) to a good rock and roll circa 1958, if you clean up the make up, that is. It rocks better than, say, “Take it away”.

Well in the end, you know, this wasn’t the awful album I’ve grown to despise. There is no such thing as bad production per se; it’s all in the numbers, “Press” ain’t a great song anyway and it tainted the whole set as a single, but a good electronic drum can be put to good use as we all know. For completists, “Angry” ain’t a particularly great song and “However Absurd” is a weird ending, but a good effort, anyway.

And the melodies, the hooks are there, Macca brand. Oh by the way did I mention “Only Love Remains”? 100% Macca ballad of any era, and it’s really good.

This is how you do it, and it’s 1986 so it’s worth a lot. Go and buy it before the fools and the critics find out and all the “Press To Play” CDs start to dissapear from the record stores. We still have CDs right?…

WASHED OUT – Paracosm (2013)

Review by: Francelino Prazeres de Azevedo Filho
Assigned by: Syd Spence

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Feeling constrained
Your author has decided
To do poetry

Chill psychedelia
Bringing electronic soundscapes
Refreshing vibes

While it’s nice and warm
There are better stuff out there
To be enjoyed

Still, I thank you, Reece
A good fourty minutes
experience